lendo livros de carne e osso
O cachorro, por outro lado, não vai me deixar passar reto assim tão fácil. Parado diante do pote de ração, ele estica os olhos pidões na minha direção, como se não estivéssemos na semana de jejum da Lua Cheia. Afasto-o com a lateral do pé, fingindo que não escuto os ganidos dramáticos e aquele pigarro meio de fumante dele, pois óbvio que o safado andou aprontando quando eu estava fora. Vou deixar essa conversa para outra hora. Por agora, preciso me concentrar no que vim fazer.
O bloco de carne está numa cumbuca dentro do fogão — parabéns pra Sandra, que pelo visto se lembrou do meu pedido do dia anterior. Odeio ter de esperar para trabalhar, então ter o negócio mais ou menos pronto é um adianto. A carne ainda está meio congelada, é verdade, mas nada que vá ser complicado de lidar. Odeio o cheiro que o sangue cristalizado solta, então tento ignorá-lo, mesmo que esteja manipulando a coisa diretamente com as mãos. Tomando fôlego, faço força.
A princípio as partes ainda estão muito rígidas, mas aos poucos o movimento vai dando resultado, até que enfim, com um gorgolejo semelhante a uma pia esvaziando, consigo separar as duas abas. Demora uns dois ou três segundos para as formas de marfim brotarem da carne vermelho-acinzentada, mas só meio nanossegundo de bote para que a coisa quase abocanhe meus dedos.
Geralmente estapeá-lo seria o suficiente para lhe ensinar bons modos, mas nesse caso eu sei que a camada de degelo diminuiria o impacto do meu movimento, então opto por batê-lo com força contra a pia de mármore.
Já no primeiro impacto ele solta um berro, mas dou mais alguns pancadões, só pra ter certeza de que a mensagem foi transmitida sobre quem manda em quem ali. Na última porrada, os dentes se recolhem de uma vez, e por fim posso abri-lo de novo e começar e folheá-lo.
Suspiro, meio exaurido, meio satisfeito; esses livros físicos são sempre um negócio complicado.
Inspirado pelo título desse ensaio, resolvi escrever um microconto onde houvesse, de fato, um livro de carne e osso. O texto que se segue não é tão mirabolante quanto, mas achei divertido unir as duas coisas em uma mesma peça.
Introdução
Fazia anos que eu não tinha contato com uma biblioteca e pelo menos uns 10 anos desde a última vez em que peguei um livro (físico) em uma. Ainda no meu primeiro emprego, aos 20 anos, comprei um kindle que esteve fielmente ao meu lado até o último trimestre do ano passado. A cada ano de uso do e-reader, meu contato com livros físicos foi diminuindo e diminuindo, ainda que eu mantivesse alguns em casa, pois o hábito de participar de feiras do livro nunca me abandonou completamente.
Quando meu fiel kindle (um modelo tão antigo que nem sequer tinha luz interna) me deixou, me senti arrasado. Por razões óbvias, não havia como mandá-lo para a manutenção da Amazon e menos ainda eu dispunha de dinheiro para comprar um novo, não importava se tinham um cupom para me oferecer. Passei a ler no celular, algo que já fazia antes, mas não era meu dispositivo favorito. Vida que segue.
Então, entre dezembro e janeiro desse ano, meu celular apresentou um problema na tela, que depois se revelou um defeito na placa. Quase 6 anos de trabalho ininterrupto tornavam meu Xiaomi praticamente um ancião, mas, de novo, eu me senti arrasado, ainda que fosse óbvio pra todo mundo ao meu redor que aquele aparelho estivesse fazendo hora extra havia muito tempo. Sem dinheiro para comprar um novo pois pouco tempo antes meu notebook (outro ancião de 12 anos) tinha falecido, fiquei também sem celular.
E assim, fiquei sem ter como ler livros.
A logística da biblioteca
Ok, na verdade isso é uma colocação dramática: não fiquei sem ter como ler, pois ainda haviam alguns livros físicos pela casa. Mas da mesma forma que alguém olha para os armários e geladeira lotados e ainda assim resolve pedir um Ifood, nada que eu tinha me apetecia e eu preferia outra coisa, ainda que não soubesse muito bem o quê.
Examinando minha relação com a leitura antes de Fevereiro/2026, quando peguei emprestado meu primeiro par de livros na biblioteca, consigo perceber as tantas coisas que estavam prejudicando minha leitura: pra começar, mesmo tendo livros não lidos em casa, eu dificilmente me interessava por eles pois tinha desenvolvido um tipo de “desprezo” por ler no papel. Com a possibilidade de ler no digital, já que não me faltam opções tendo uma conta com mais de mil livros na Amazon e outra centena de obras resgatadas no Skeelo, os livros físicos acumulando poeira na estante não eram modernos, muito menos atrativos ou “diferentes” (seja lá o que fosse pra isso significar na minha cabeça).
Quando esse excesso de opções deixou de existir, a estante de casa não passou a ser automaticamente atrativa, mas eu me esforcei para ler os livros que tinha e, que surpresa, não é que eles eram bons?! Mesmo assim, um novo problema se estabeleceu diante de mim: e quando esses livros acabassem? O que eu leria? Meu catálogo próprio, após tantas doações e desapegos, tinha sido muito reduzido e não era improvável que eu o lesse todo em poucos meses com meu ritmo de leitura. Então, veio a biblioteca.
Eu já tinha visto o prédio dela nos percursos que fazíamos do mercado para casa ou de casa para o médico, por exemplo, mas nunca parei para visitá-la até esse momento. Depois de fazê-lo, me senti até meio mal de não ter começado antes, pois considero que estou vivendo meu melhor período de leitura desde que mudei de estado e me casei, em 2023.
Ir até a biblioteca me deixou empolgado, ao mesmo tempo em que também se tornou um desafio logístico por uma série de fatores:
- Distância. Nossa casa é a quase 5km de distância de lá, então sem dispor de veículo próprio e sem transporte público (juro), teríamos de chamar um carro de aplicativo. Isso significa gastar dinheiro e ter um número limitado de idas ao local.
- Características dos empréstimos. O empréstimo é de 2 livros por usuário, com duração de 15 dias — que pode ser renovado por mais 15 dias. Ou seja, escolha bem seus dois livros e seja feliz com eles (ou não).
- O catálogo é limitado. Nenhuma biblioteca moderna, por mais que se esforce, há de ser a Biblioteca de Alexandria. No caso daquela que frequento, uma pequena biblioteca municipal, muitos livros não estão disponíveis, mesmo no caso de obras clássicas.
Tudo isso fez com que eu dedicasse mais atenção ao selecionar minhas leituras, pois elas não podiam mais simplesmente ser feitas por impulso. Com o auxílio do sistema online da biblioteca, passei a pesquisar cuidadosamente quais livros estavam disponíveis ou não e com isso montei uma lista, que foi se expandindo conforme o tempo.
A biblioteca, de certa forma, me tornou mais fiel ao que eu me propunha a ler — se antes, com os livros digitais, a cada mínimo lampejo de tédio, por exemplo, eu podia trocar uma leitura por outra, agora fazer isso não era mais tão simples. O hábito de pular entre leituras sem muita consistência era tão forte que às vezes mesmo que eu gostasse do livro, acabava abandonando-o/deixando-o de lado para ler outra coisa, criando mil e uma desculpas pra mim mesmo sobre a razão de fazê-lo.
Falando assim, parece que eu nunca terminava nada, o que não é verdade. É bem possível, inclusive, que o fato de eu ter uma média de 45 a 50 livros lidos por ano, mascarasse o problema que eu tinha com a leitura e que só se revelou integralmente com a minha retomada ao universo dos livros físicos.
Meu funcionamento errático enquanto leitor
Eu trabalho com livros, mais especificamente livros digitais — critico, edito, reviso e diagramo. Para muitos, trabalhar no mercado literário significa que a leitura por entretenimento vai se tornando muito escassa e isso chegou a ser verdade pra mim durante um tempo. Hoje em dia, consigo conciliar meu trabalho com as leituras por prazer/estudo, então sigo normalmente fazendo as duas coisas.
A intensidade com que leio um livro a trabalho é tão pesada que preciso fazer múltiplas pausas, mesmo com poucas páginas lidas. Às vezes duas páginas podem gerar um desgaste tão grande que preciso deitar para repousar e recuperar neurônios. No início isso me deixava um pouco frustrado, pois minha média de leitura sem estar trabalhando é de 40 páginas por hora. Com a prática, passei a entender que esse era meu limite trabalhando e tudo bem, pois eu usava ferramentas distintas ao ler no trabalho e ler por diversão.
Mesmo assim, percebi que tratava minhas leituras por prazer/estudo de forma desregrada e irresponsável. Alguns podem argumentar que num hobby eu posso me permitir não ter um sistema tão rígido, mas nesse caso eu discordo e um pouco mais adiante explico os motivos para isso.
Minha forma de ler podia ser descrita assim: faltava comprometimento. Fosse um livro lido por prazer ou por estudo, eu não me importava em deixar uma obra de lado para ler outra. Não acho que esse comportamento seja inerentemente ruim, pelo contrário; num vídeo que acho bem interessante, a autora e youtuber Jo Shaw comenta que uma boa forma de se manter sempre lendo é construindo uma seleção de leituras da mesma forma que montaríamos um cardápio, dessa forma temos certeza de que múltiplas necessidades estão sendo satisfeitas. Gostei tanto dessa proposta quando a vi que foi a partir dela, inclusive, que passei a montar meu cronograma de leituras da biblioteca!
Porém, é importante prestar atenção que existe uma diferença entre se fazer um rodízio de livros (onde — espera-se — as opções sejam limitadas) e entrar num loop um tanto “FOMO literária” que envolve ler 15% de um livro, achar outra obra, deixar de lado a leitura antiga, ler mais 15% do livro novo, então encontrar outro livro, deixar de lado o anterior e assim sucessivamente. Era nesse segundo padrão em que eu estava metido e percebi que não era feliz nele.
Essa falta de comprometimento me incomodava porque estabeleci que, fosse lendo por trabalho, estudo ou entretenimento, eu sempre me dedicaria à leitura. Não quero ler centenas de livros por ano; quero ler bons livros, independente do tempo que levar para isso. (Uma coisa não exclui a outra, eu sei, mas sinceramente, eu tenho que trabalhar, cuidar de uma casa com 12 gatos e passar tempo de qualidade com minha família, além de, sei lá, viver. Eu não vou ler uma centena de livros por ano e tá tudo certo.)
Pra resumir: Otimização e produtividade nas leituras fora do trabalho não são objetivos pra mim.
Admirando a tecnologia do livro
Uma vez na faculdade de Letras ouvi uma frase que me marcou bastante. Um professor comentava sobre o livro físico quando disse o seguinte:
O livro é um dispositivo praticamente perfeito e a prova disso é que não conseguiram até hoje criar uma alternativa capaz de fazer o que ele faz. A forma da encadernação, o jeito como podemos folheá-lo para buscar uma informação rapidamente ou só visualizar seu interior… os livros digitais e e-readers [ainda] não conseguiram fazer isso.
A fala desse professor pode, a princípio, parecer anti-tecnologia, mas acho que ele só estava genuinamente impressionado por ainda usarmos uma tecnologia cujo formato foi praticamente estabelecido uns 500 anos atrás[1], a grosso modo. Na época eu até consegui entender o que ele queria dizer, mas não sabia se achava tão fascinante assim a tecnologia do livro. Hoje em dia, mudei de ideia e me fascino também, pois ler nesse tipo de suporte (livro físico) me obrigou a alterar a forma como eu lia antes, quando estava totalmente alimentado pelo suporte digital (e-reader e/ou celular).
Enquanto folheio Fogo Morto de José Lins do Rego, um dos meus empréstimos recentes na biblioteca, sinto que preciso me desacerelar para compreender o livro, que isso é necessário para que eu possa de fato prestar atenção com tudo de mim. Se eu tentar ler o livro físico da mesma forma que lia um livro digital, não vou conseguir extrair absolutamente nada. Não me tornei opositor ao livro digital — não acho que um posicionamento assim faça sentido —, mas me afastei um tanto dele pois entendi que havia um problema sério na nossa relação: esse formato facilitava demais a leitura pra mim.
“Ah, pronto, lá vem o elitista capacitista! Vai começar a falar mal de audiolivro também?”, eu imagino alguém questionando, mas peço um pouco de confiança agora; prometo que vou fazer sentido ao me justificar. (Não vou entrar no tópico dos audiolivros porque acho que eles merecem um texto só deles, mas vou deixar logo claro que sim, eu gosto e muito de audiolivros.)
O desconforto enquanto atrito necessário
Uso óculos desde que tenho 8 anos — são mais de vinte anos nessa, o suficiente para ter vivido o tempo em que usar óculos era vergonhoso até o ponto de virada em que usar óculos virou algo cool. Mesmo que as crianças na escola tenham feito graça de mim na época que cheguei com minha armação, acho que nunca consegui sentir vergonha. Minha relação com meus óculos até hoje é de quase gratidão, na verdade, pois sem eles não consigo ter uma vida funcional. (Sério.)
Tenho astigmatismo num grau razoável e uns pontos de miopia pra dar o tempero. A primeira coisa que faço ao acordar é botar meus óculos pois, sem eles, as chances de me acidentar são grandes já que minha estabilidade física some (pois fico tonto) e minha noção de profundidade fica uma porcaria. Pra citar problemas mais “simples”, tive um período da vida adulta em que fiquei sem óculos e basicamente eu usava o navegador no 250% de zoom para poder trabalhar.
Tudo isso para dizer que durante um tempo, justamente por causa da minha visão, ler num e-reader foi algo extraordinário. Aumentar a fonte ou até trocá-la por outra, mudar o espaçamento entre linhas e parágrafos… Esse tipo de configuração tornou a leitura algo muito mais confortável pra mim. (Ter algo sempre à mão para ler graças ao celular também era uma baita mão na roda quando se mora no país do “essa é a fila para entrar na fila, sua senha é a 512, estamos chamando o número 3 agora”.)
Até aí não parecem haver desvantagens no suporte digital, então por que ele passou a ser tão prejudicial pra mim?
Me permita uma digressão: (eu sou autista, eu vivo pra fazer digressões, foi mal) com tanta IA LLM por aí, o que não faltam são estudos mostrando como o uso desse tipo de programa está prejudicando (e até atrofiando) a capacidade de raciocínio das pessoas que o utilizam. Um dos argumentos que vi ser utilizado para explicar por que as LLM podem ser tão prejudiciais é a falta de atrito na sua utilização.
Basicamente, se você desenvolve uma tecnologia que é tão fácil a ponto de requerer o mínimo de pensamento — ou talvez que requeira só um movimento, como o apertar de um botão, por exemplo —, a facilidade tende a tornar o processo de usar aquela tecnologia algo que se faz sem pensar. E é aí que mora o perigo.
Voltando aos suportes para livros digitais. Por mais bizarro e exagerado que possa parecer, a verdade é que sinto que eles estavam sendo essa experiência “zero atrito” pra mim.
Aí vai uma cena: como um bom insone, muitas vezes me vejo acordando do nada às 2h30 da manhã, entediado e sem a menor expectativa de voltar a dormir. Nessas horas, era automático me virar para o celular (acessível justamente por conta dessas situações), abrir algum livro que estivesse lendo e assim seguir até o sol nascer. Nem sequer precisava sair do lugar, me mantendo deitado no meu travesseiro, invejoso de minha esposa, deitadinha bem ao meu lado e dormindo um sono dos justos perfeitamente inabalado.
A ausência do celular por tantos meses retirou essa possibilidade, mas infelizmente não levou minha insônia junto. Entediado, puto com meu próprio corpo por me sacanear assim, tive de arrumar outra abordagem para poder me entreter, já que não daria certo tentar ler um livro físico no escuro. Assim, tive de me levantar e ir pra sala, onde poderia ligar a luz sem incomodar ninguém. Só de esticar o corpo, me sentia mais desperto. Com meu exemplar de Fogo Morto, me ajeitei no sofá e comecei a ler, mas cuidadoso, pois o tamanho da letra e a cor da página não eram exatamente os melhores para um insone astigmático fazendo uma leitura noturna, mesmo que munido de seus óculos e uma lâmpada de luz branca.
Apesar disso, eu conseguia sentir meu cérebro trabalhando de uma forma diferente. Eu lia mais lentamente, sim, mas isso não me incomodava. A sensação era parecida como quando converso com minha esposa: não sinto vontade de olhar o relógio, não quero ir fazer outra coisa, quero estar exatamente onde estou, conversando com essa pessoa fantástica. Enquanto passava as páginas, eu era todo daquele livro. O pensamento de ter outras tarefas pra cumprir ou mesmo outros livros pra ler não me estimulava a querer ser mais rápido, terminar logo aquela cota, ir pra próxima coisa na lista interminável de Coisas a Se Fazer. Se eu conferia quantas páginas faltavam para terminar o capítulo, não era pela ânsia de querer lê-lo logo, mas sim por uma mistura de hábito construído na infância, curiosidade e a consciência de que não tenho mais idade para a falsa promessa de “só mais um capítulo” que na verdade viram vários. Um capítulo é mesmo “só” um capítulo, mas isso não é um problema.
Ao concluir o longo capítulo em questão — mais de 30 páginas! —, não era a minha cabeça que estava cansada pela leitura, mas sim o restante do meu corpo: os olhos pesando de sono e “desgaste”, as costas reclamando por ter me empolgado em dado momento e me curvado sobre o livro ao invés de ficar só recostado no sofá, o resto do meu corpo reclamando que aquela já era a quarta posição desconfortável que eu testava, pois ser uma criatura inquieta leva a excesso de movimento e isso também cansa.
Assim, eu cedi às necessidades físicas e às 3h30 voltava a me deitar ao lado da minha mulher, adormecendo por um tipo de exaustão que considero muito satisfatória: aquele cansaço de ter usado toda a sua energia acumulada, de ter se esvaziado completamente e agora poder ter paz para se recarregar.
Não sou contra livros digitais, repito — fiquei muito empolgado de ter conseguido um celular novo pouco tempo após o lançamento do MEC Livros e já estou mergulhando de cabeça no catálogo dele. Porém, acho sim que os livros digitais, e-readers e todo o resto estavam comprometendo minha dedicação à leitura quando assumiram o papel (com perdão do trocadilho) de serem o meu principal suporte para essa atividade, assim como escrever apenas no digital não me estimulava do jeito que escrever no papel me traz hoje.
Daí eis-me aqui, exaltando os livros “de carne e osso”, que, em suas limitações, revelam que eu também preciso prestar atenção nas minhas, mas que isso está longe de ser um problema; na verdade, é uma forma de revelar que é justamente me voltando ao sensorial que eu consigo pensar muito melhor. Pode ser não o jeito mais produtivo de existir, mas não precisa ser. Uma frase que ouvi certa vez e nunca vou esquecer é essa:
Sua vida não é um problema de otimização.
Então que eu não viva os momentos daquilo que mais amo (leitura) como se fossem. Que eu possa apenas aproveitá-los de maneira genuína.
Notas:
[1] Quando faço essa datação, estou me referindo à criação da prensa de Gutemberg. Olhando a história do livro é possível ver que o formato já tinha sido iniciado até antes, com a presença do códex, mas acredito que aquele que mais se assemelha ao livro moderno, que é o que temos hoje, está mais próximo de Gutemberg do que do códex. As formas de produção podem ter sido drasticamente alteradas, mas o livro enquanto objeto não se alterou tanto assim.
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