re: Fanfic ou Original? // fanfic, talvez, seja sobre o que falta
desde que minha amiga Yuui fez essa postagem falando sobre o que a leva a escrever fanfics quando também escreve histórias originais, eu estava me coçando para falar algo a respeito! eu gostei muito das conversas que minha resposta à Diel sobre IAs trouxe, então quis fazer algo semelhante com um assunto que fez (ou ainda faz?) parte da minha vida. bora lá!
assim como a Yuui, eu escrevo desde que me entendo por gente. lembro que uma das primeiras histórias que escrevi devia ter uns 6 anos e era uma fanfic (ainda que eu não conhecesse esse termo) de um filme que assisti na sessão da tarde envolvendo leões. não faço a menor ideia de qual o título dele, era meio que um filme de vida animal, mas com dubladores falando por cima das imagens de leões de verdade. fiquei tão empolgado depois de assisti-lo que meio que escrevi uma versão alternativa de uma das cenas e até dei outro final pra história. deux sabe onde foi parar esse humilde papel de mais de 20 anos de idade, provavelmente foi parar no lixo numa das tantas limpezas anuais que minha mãe fazia. não vejo problema nisso, no entanto, pois a memória dele persiste em mim e isso que me importa mais, nesse caso.
ao longo dos anos, fui escrevendo outras histórias - algumas que poderiam muito bem ser chamadas de fanfic AU (alternative universe), com meus próprios OCs (original characteres). muitas eram derivadas de filmes e séries que eu assistia, e que queria que tivessem tido um desenvolvimento diferente. boa parte da ficção que eu escrevia, no entanto, era de histórias originais, até porque eu gostava de explorar e criar outras sociedades para explorar melhor meus personagens (especialmente meus casais), já que sempre fui autor de romance. as fanfics tinham um espaço menor, ainda que não menos importante. conforme a adolescência foi se estabelecendo - e depois sendo substituída pela idade adulta -, minhas fanfics foram escasseando.
quando li o texto da Yuui, comecei a me perguntar o porquê isso aconteceu. não é que eu não visse sentido em escrever fanfic, mas é que, geralmente, quando me deparava com uma obra que me fazia ter vontade de escrever, eu tinha muito mais alterações do que elementos a manter. no máximo, talvez uma ou outra característica da aparência de um personagem principal e alguma dinâmica, mas de resto - especialmente a sociedade na qual a história ia se passar - era tudo tão diferente que nem valia a pena chamar de AU, pois mais geraria frustração do que satisfação da parte de outros fanfiqueiros que me lessem.
resolvi ir para outra pergunta: quando eu examinava em retrospecto as fanfics que escrevi, o que eu reparava nelas? qual era o padrão? e aí, sim, me veio uma resposta completa.
observação: não vou mencionar os fandoms sobre os quais eu escrevia pois isso não tem muita relevância; os títulos das fanfics eu também nem lembro mais.
lembro de especificamente três fanfics que escrevi e vou reparando nas características compartilhadas delas: cada uma era focada num personagem só e em momentos dramáticos da vida deles; exploravam um lado mais psicológico e que não existia nas obras originais; duas de três histórias eram sobre personagens tão secundários que você podia contabilizar em alguns minutos seu tempo de tela - e esses mesmos personagens eram tão deslocados do restante do elenco que podiam ser vistos como monstros, segundo o parâmetro daquela narrativa. nenhuma dessas 3 histórias era de romance, eram narrativas feitas pra chorar (mais especificamente pra eu chorar) e abordar algum elemento narrativo que estivesse ausente na obra original - uma história de origem ou uma reação não mostrada.
não sei porquê, mas como autor de fanfic nunca fui muito de escrever romance. na verdade, dificilmente tinha shipps ou, se os tinha, costumavam ser aqueles mais "obscuros" e que não eram lá muitas pessoas que tinham interesse em ler/escrever. meu foco sempre foi no drama, nos personagens mais esquisitos e que, muitas vezes, eram só secundários esteticamente bizarros, feitos pra terem relevância em momentos pontuais das histórias. essa é a beleza da fanfic, no final, né? você pode falar sobre o gremlin mais deslocado e que só tem 3 falas ao longo de uma série de 80 episódios, mas who cares? só senta e escreva, a única coisa que importa é a sua diversão!
assim, onde a Yuui aponta que
A graça da fanfic é essa: imaginar outros cenários com aquelas personagens. Explorar dinâmicas entre as personagens. Fazê-las se desenvolver. Para mim, sempre foi sobre o criar. - Trecho da postagem Fanfic ou Original?, grifo meu
pra mim, que escrevia quase sempre sobre os solitários e abandonados, a resposta seria parecida no "sempre foi sobre o criar", mas enveredando por um rumo diferente: eu queria trazer o que estava faltando na obra original, queria preencher uma brecha que o autor não se incomodou em suprir.
perceber isso me faz concluir que é incrível a forma como um fandom ou até um único fã pode funcionar: são pessoas dedicadas a amar tanto uma obra que parte do seu amor é expresso fazendo mais arte, criando obras que dialogam, de alguma maneira, com a obra original da qual derivam. é fascinante, cara!
ATENÇÃO! nos parágrafos abaixo eu dou alguns micro-spoilers sobre alguns personagens da série ruptura! se não quiser saber de nada sobre, recomendo encerrar a leitura desse texto por aqui.
ultimamente tenho sentido vontade de voltar a fazer fanfic, ainda que, com a quantidade de coisas que estou fazendo, adicionar mais isso seria um tanto proibitivo. a razão? um casal que me pegou de guarda baixa enquanto assistia ruptura: irving b e burt g, dois idosos cheios de caraminhola na cabeça e, ao mesmo tempo, donos de segredos que espero que a série explore melhor na terceira temporada.

desde a primeira cena em que essa relação foi canonizada, minha intenção é escrever um texto a respeito. tanto pela ótima química dos atores quanto pela forma como a relação vai se construindo dentro dos andares da lumon e, depois, fora deles. além disso, é muito incomum ver personagens mais velhos sendo colocados em relacionamentos quando o foco da obra não é esse. falo isso pois sei que existem séries com casais mais velhos como a sit-com modern family, por exemplo. nela, porém, o cenário é contemporâneo e todo o enredo é construído em cima de situações cotidianas que qualquer um poderia viver. irving e burt enquanto casal me surpreende porque estão acontecendo numa série de ficção especulativa (sci-fi com elementos de terror).
terminei nessa semana a segunda temporada, ainda digerindo muitas das coisas que aconteceram (especialmente as que foram deixadas em aberto!), então ainda não tive tempo de formular nada a respeito desse casal, mas podem me aguardar que ALGO ainda vem aí!!
Quer responder essa postagem? Fala que eu te escuto!