o triste fim do acumulador em série
Disclaimer: nenhum autista nerd de livros foi ferido nesse post, não se preocupe. Ainda estou vivo e cheio de links para ler, mas agora eles são bem menos numerosos!
Desde que consegui meu notebook novo velho (sim, você leu certo: ele é novo pra mim, mas já fez 12 aninhos nesse mundo), passei a usar o navegador Vivaldi. Não é perfeito, mas tem me atendido para o que preciso enquanto ainda não achei outro melhor (a busca de imagens dele, por exemplo, é sofrível demais).
Uma das possibilidades do Vivaldi é a de utilizar mais de uma área de trabalho, o que significa que eu posso alternar entre essas áreas, cada uma com suas abas específicas. Como alguém que vive acumulando links sobre livros, literatura, enfim, leitura sobre leituras, criei uma aba focada só nisso. Encontrei algo interessante? Movo para essa aba de trabalho. O problema é que como um bom esquilo com a memória fraca, eu jogo minhas nozes no terreno e depois esqueço que elas estão ali. O resultado: 30 abas abertas há sabe-se lá quanto tempo.
Se perguntarem "ele morreu de quê?", podem responder "de procrastinação, tadinho".
Ok, estou sendo injusto comigo mesmo: não é que eu não leia nada dos links que pego. Mas é que geralmente um único link resulta em mais 3, 4, às vezes até 5 novos links! Meu cérebro trabalha à prestação, então eu demoro um tempo para digerir o que leio, não consigo pular de um link para outro. Soma-se aí que tenho várias newsletters paradas me esperando no meu email e eu acabo virando aquele frame da Sabrina (série de 1996) rodeada por mais pratos do que ela tanka comer.
Então, como lidar com isso, já que também estou procurando reduzir o meu tempo de tela? Bom, antes de mais nada, estou estabelecendo pra mim mesmo que nem tudo o que salvo nessa área de trabalho necessariamente vai ser lido. Talvez tenha sido só um interesse passageiro, uma coisa que me pareceu curiosa na hora, mas depois vira um grande mas eu preciso disso de fato?
Enfim, a Marie Kondo dos textos: se não sparkeia joy, então talvez você só deva fechar a aba, boy.
Segundo: isso é um texto que eu preciso ler ou é um livro pelo qual me interessei? Se for a segunda opção, então posso só anotar o título, a autoria e o motivo pelo qual fiz a crueldade de adicionar esse pobre inocente na minha TBR.
Inclusive, vou fazer isso agora, enquanto redijo esse texto!
Livros perdidos nas minhas tantas abas abertas e que resolvi espanar o pó de bytes:
(Clique na setinha ao lado de cada título para ler minhas anotações!!)
The Apple and the Spectroscope de Thomas Rice Henn
Livro que recomendaram em alguma newsletter que sigo para quem quer aprender mais sobre poesia. Não sei se vou tankar ler, mas quero ao menos tentar!
The Penelopiad de Margaret Atwood
Por mais ranço que eu tenha da véia por ela ser transfóbica, não posso negar que ela escreve muito bem.Dito isso, me interessa e muito essa versão do mito de Odisseu e Penélope, contado pelo POV da própria Penélope. Mitologia grega deu uma saturada pra mim, mas considerando a escrita da autora e a proposta, eu me sinto ok em dar uma chance.
Little Rot de Akwaeke Emezi
Tenho há anos um livro da autoria delu para ler (se chama PET), mas nunca pareço estar no humor certo para ler (é um middle-grade sobre luto, até onde me lembro). Esse aqui, sobre uma galera tacando o zaralho numa festa sexual, com personagens-narradoras que são trabalhadoras sexuais, vivendo num cenário de terror/thriller, com certeza tá dialogando com meu humor atual, então entrou na TBR.[¹]
About a Place in the Kinki Region de Sesuji
Esse aqui eu vi sendo comentado pelo Trevor Henderson, um artista focado em terror que adoro (e que inspirou um dos meus podcasts favoritos, Mayfair Watchers Society), então automaticamente salvei para procurar, pois costumo achar ao menos interessantes as recomendações de filmes e livros que ele faz.Tem uma vibe meio filme found-footage em que outros meios de comunicação (vídeos, textos, mensagens etc) vão se tornando relevantes para contar a história - provável que uma obra literária mais parecida com Casas Estranhas do Uketsu do que com Casa de Folhas de Mark Z. Danielewski.
Men We Reaped de Jesmyn Ward
Um livro de não-ficção sobre as violências que a autora, uma mulher negra, vivenciou ao perder cinco homens de sua vida. Mesmo sendo estadunidense, só na sinopse dá pra perceber que a autora vivencia um quadro semelhante ao de tantos brasileiros negros: viver numa comunidade pobre, com acesso limitado a educação, ser a primeira com um diploma na sua família...Não lembro de como esse livro foi parar na minha lista, mas tenho um apreço muito grande por livros de não-ficção, especificamente livros de memórias. Algumas das obras mais marcantes que li entram nessas categorias, como Quarto de Despejo da Carolina Maria de Jesus e Fome de Roxanne Gay.
A Morbid Taste for Bones de Ellis Peters
Um livro de investigação policial que se passa no século XII. Não procurei saber muito sobre esse livro, exceto que ele se encaixava nos meus requisitos bem específicos para livros de crime[²]: ser escrito por uma mulher e ser uma investigação forense, mesmo que não seja necessariamente um livro de procedural[³]. Isso porque não vejo muita graça em thrillers domésticos, tipo A Mulher na Janela ou coisa do tipo, eu sou autista, eu gosto de *detalhes* ultra específicos. /meia-piada, eu acho? Tem um fundo de verdade nissoEnfim, ele foi parar na minha lista porque depois de ler A mulher que desvendava a morte de Ariana Franklin, eu fiquei desejoso de encontrar outras autoras que também abordassem investigações de assassinato/crimes em períodos muito antes da ciência forense ser o que é hoje (séculos antes, pra ser mais preciso).
The Giant Dark de Sarvat Hasin
Um livro sobre uma relação complicada que referencia a relação de Eurídice e Orfeu. Não pesquisei muito sobre esse livro também, apenas me interessei pela ideia e porque ele veio de uma lista de livros pra você que gosta dessas músicas do Hozier.Sendo sincero, a única música dessa lista que gosto é It will come back, mas não me interessei pelo livro recomendado relacionado a ela. Ainda assim, as temáticas do Hozier me atraem bastante (o suficiente, inclusive, para eu pensar em tentar ler de novo A Divina Comédia, por mais sem neurônio que eu tenha me sentido na primeira vez que tentei).
Sunburn de Chloe Michelle Howarth
Um livro sobre relação entre mulheres, descrito como "female gaze" e se passando numa cidade pequena em 1990? Mim dê, papai!!!Também procurei pouco ou quase nada sobre esse livro, ele igualmente veio da lista que citei anteriormente do Hozier.
The Girls of Slender Means de Muriel Spark
Senhoras e senhoras, é aqui que admito: não faço ideia de porque a aba da Wikipedia sobre esse livro estava aberta, li a sinopse e entendi bulhufas (achei confusa), mas estou disposto a dar uma chance, até por ser um livro pequeno. Parece ter uma investigação de assassinato feita por uma mulher, então entra nos meus hiperfocos, o que é suficiente.[⁴]
Confesso que anteriormente esse post ia ser sobre outra coisa, mas no meio do caminho eu esqueci e achei mais interessante usá-lo como uma forma de fazer a limpa na minha aba de leituras. Levou um tempinho para chegar nessas infos de cada livro, mas gostei do processo e também do resultado!
E após toda essa looonga peregrinação, finalizo com a área de trabalho estando em 18 abas abertas! Foram muitas abas fechadas com uma cara de "pqp, pra QUE eu salvei isso?", outras que foram doces descobertas, então acho que até que valeu a pena!
Minha próxima "missão" é selecionar os textos longos (artigos, ensaios, reportagens, blogs) que pretendo de fato ler. Quem sabe eu não faça a mesma coisa e vá deixando anotações sobre o que mais me interessou pelo caminho?
Notas
[¹]: Sim, uma transfóbica e uma pessoa trans na mesma lista, não deixo de reconhecer a ironia. Não sou do tipo que separa o artista da obra, só pra deixar claro, então sempre faço a leitura incluindo tudo o que sei sobre a vida do autor em questão - pois a leitura é minha e se ela estiver embasada no texto, why not?
[²]: Eu não tanko esse termo em inglês, crime novel. É só isso. Realmente criei uma nota só pra comentar isso. Pode voltar a ler o resto.
[³]: Nesse caso me refiro ao gênero thriller procedural, que geralmente consiste em alguém da força policial oficial (detetive, investigador etc) fazendo uma análise detalhada do crime. Os livros desse estilo podem conter longas páginas sobre análise forense, especialmente sobre autópsias, tipos de armas e ferimentos, dentre outras informações que talvez não interessem a leitores que querem saber o mínimo possível sobre a parte "realista"(?) de uma investigação. Eu adoro.
[⁴]: Eu mesmo, o homem que não lia sinopses e vai ler pelas vibes do livro!!! Tem algum problema comigo? Me manda cinquentão no pix e a gente conversa.
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