não me peça pra falar de mim! (10 curiosidades)
entrei esse mês no coletivo do entreblogs, um pessoal dahora que tem por objetivo mostrar que a blogosfera segue aí firme e forte, inclusive da parte dos brasileiros! o que dizer dessa galera que mal conheço e já considero pacas? eu geralmente não tenho interesse algum em participar de grupos do zap, mas tive de botar um temporizador no celular pra evitar de ficar por ali o tempo inteiro, porque de outra forma eu não iria embora.
o entreblogs tem sugestões de temas e o desse mês é 10 curiosidades sobre você. vários dos participantes estão respondendo e ainda que não tenha lido todos os posts, li um bocado e concluí que esse tema vai ser um pesadelo de responder kkkkkkkk parte do sentimento vem do fato (ou talvez sensação?) de que não sou tão “vivido” ou “interessante” quanto os outros participantes, então o que caralhos vou ter pra falar? a outra parte surge do fato de que sou um cronicamente offline & low profile, então me dá agonia física pensar em falar de mim pras pessoas.

uma vez no ensino fundamental II a professora de História pediu pra gente se apresentar, falar um pouco sobre como nos enxergávamos. o contexto é que não era apenas primeiro dia de aula, mas também o primeiro dia daquela professora na escola. a maioria do pessoal se embananou e disse que não conseguia pensar no que falar, creio que por vergonha de lidar com uma adulta nova.
a professora sugeriu, então, o contrário: e se a gente apresentasse o colega da carteira de trás? isso aconteceu no 7o ano, antiga sexta série, e boa parte da turma já se conhecia por ser uma escola pequena, então os alunos recepcionaram a sugestão muito bem. quando o último aluno terminou de falar, a professora agradeceu e comentou: “engraçado, né, como é mais fácil a gente definir o outro do que nós mesmos? será que é porque estamos vendo de fora e é muito mais fácil de simplificar aquilo que não vemos?”
aaaah, galera, que crise existencial essa mulher me gerou! (impossível agradecer à professora Fernanda o suficiente por isso, sério.)
sem querer gerar um debate filosófico num post que é pra ser leve e divertido, mas com certeza é desse jeito que me sinto quando me pedem pra falar 10 coisas a meu respeito. não só uma ou duas, mas logo dez de uma vez?! nem existe tudo isso de palavra, irmão! enfim, chega de enrolação!
seguem as curiosidades:
#1. quando criança eu queria ser legista. por razão de tempo e dinheiro, não tem a menor chance de eu cursar Medicina pra enveredar por essa área, infelizmente. porém vira e mexe fico de olho em vagas para trabalhar em funerária, focando em tanatopraxia (a pessoa que limpa e maqueia cadáveres).
só não mergulhei a fundo em conseguir um emprego porque ainda sinto muita desconfiança dos cursos que encontro por aí e não quero gastar de dinheiro em algo que não me prepare adequadamente pro meu trabalho!
#2. fui diagnosticado como autista aos 27 anos. e de “brinde” veio também o diagnóstico de altas habilidades/superdotação (AH/SD), o que me surpreendeu mais do que o diagnóstico de TEA, pois sempre associei (erroneamente) alguém com altas habilidades com uma pessoa super inteligente, boa nos estudos e capaz de se inserir em áreas complexas — meio que a digievolução do Rayman/autista gênio da matemática, sabe? péssimo, eu sei! —, e eu considero que só tomei no cu quando estive nas áreas acadêmicas.
bom, passou a fazer mais sentido o diagnóstico quando li mais a respeito e descobri que a AH/SD é igualmente uma deficiência, mas muito menos estudada que o autismo. basicamente pessoas com altas habilidades teriam, sim, um desenvolvimento bem acima da média em alguns aspectos, mas para outros seriam subdesenvolvidas, o que pode acarretar em problemas de inserção social que atrapalham em todo o resto. (por isso temos a piadoca “altas habilidades? acho que você quis dizer baixas habilidades, campeão!”)
#3. passei de “odeio gatos!” para “tenho 12 exemplares”. (não façam isso em casa, crianças!!!) minha avó foi a primeira pessoa que conheci que tinha vários gatos (ela já chegou a ter uns vinte, até onde sei) e não era exatamente a pessoa mais saudável da cabeça; o resultado era uma véia meio pistola que estava sempre gritando com os animais pois lidar com seres vivos gera estresse mesmo e ela não sabia se autorregular.
hoje eu consigo racionalizar isso, mas na época só via o resultado das atitudes dela: gatos estressados e arredios, que atacavam se você tentasse chegar perto. numa dessas ganhei uma cicatriz no braço que só sumiu depois de muitos anos, mas mesmo assim perdurou na forma de ranço contra esses bichinhos.
minha relação com gatos só melhorou quando fui morar numa casa que tinha um vizinho cheio de gatos e eles eram bem cuidados. acabei me apegando a um gatão de 12kg que já era cego e surdo, e por isso precisava ser colocado pra dentro de casa. sempre que voltava da escola, se o visse no estacionamento, eu o apanhava e subia as escadas com ele debaixo do braço.
foi uma experiência que mudou totalmente a minha visão a respeito de gatos e sou muito feliz por conta disso, pois hoje não me imagino sem meus pestinhas.
#4. um livro que ajudei a produzir foi indicado ao prêmio leblanc. o título era rebobine o medo, uma coletânea em que fui co-organizador com minha amiga (e também autora), Elena DiMael. eu fiz de tudo: fui leitor crítico, revisor, diagramador e cheguei a ilustrar meu personagem. além disso, participei com um conto próprio chamado muitas partes, sobre um homem trans achando pedaços de corpos fantasmagóricos por seu apartamento e desenvolvendo uma relação pra lá de esquisita com eles.
hoje em dia a coletânea não está mais disponível para leitura pois nosso contrato com os demais autores era de 6 meses de publicação, mas até o próximo ano é bem capaz que algumas das histórias voltem a aparecer por aí de forma solo. quando isso acontecer, pode ter certeza que vou escrever a respeito por aqui. =)
#5. para dormir bem, preciso ver um filme de terror antes. sou totalmente apaixonado por terror, então estou sempre assistindo filmes do gênero. podem ser novos ou velhos, franquias ou cults, cinema “padrão” ou analog horror, não importa. com isso acabei descobrindo que meus pesadelos recorrentes são meio que counterados quando assisto um filme de terror antes de dormir. sério, durmo que nem um neném! (não pense nem por um segundo que isso me torna corajoso!!! na verdade, devo ser a pessoa mais cagona que existe, mas daí explicar como me tornei esse aficcionado por terror é material para uma postagem separada.)
#6. aprendi a jogar xadrez com 9 pra 10 anos. e como um bom mini-autista que não sabia socializar, essa era a minha maneira de (tentar) fazer amigos. basicamente eu levava meu tabuleiro todo dia pra escola e ficava sentadinho no recreio, sozinho, esperando que alguém se oferecesse pra jogar comigo.
quase sempre aparecia alguém, especialmente entre os alunos mais velhos, às vezes até professores, mas eu ganhava de todos (eu era muito fissurado e fazia umas derrotas meio humilhantes) e não sabia conversar, então acho que as pessoas não tinham muita vontade de estabelecer laços profundos comigo — ou seja, plano amizade não deu certo. (teve um tempo que tentei fazer a mesma coisa com gibis; levava meus gibis favoritos da Turma da Mônica e compartilhava com meus coleguinhas de sala. também não deu certo.)
#7. fui suporte de TI por uns anos. na empresa eu fazia de tudo, inclusive era ponte do setor de suporte com os setores de dev e infra. como um bom jovem pró-ativo e trouxiane eu estava sempre pesquisando para aprender a resolver os pepinos mais pesados do helpdesk, mas era feliz mesmo quando podia treinar estagiários novos.
nunca achei que fosse dar certo como professor, mas eu era um bom “suporte do suporte” e por isso muitas pessoas me procuravam, nem que fosse pra ter apoio emocional — talvez essa tenha sido minha maior contribuição, pois não faltava abacaxi foda de resolver, tipo bancos de dados apagados e irrecuperáveis. trágico.
acho que acabei criando um apego muito grande com o trabalho por conta disso, já que ali eu sentia que tinha valor para meus colegas e podia existir “para além de mim mesmo”. quando saí desse emprego foi porque já estava exaurido e me sentindo desvalorizado pela hierarquia (empresa de TI, né? tô pra achar uma em que a galera seja respeitada e bem paga), mas chorei bastante de toda forma. talvez se tivessem me deixado ficar só como treinador, ao invés de me atulharem com trabalhos desgastantes e que envolviam socialização, eu estivesse por lá até hoje, mesmo sendo um ambiente pra lá de explorador.
#8. boa parte do que escrevo é sobre gente esquisita e/ou criminosa. faz tempo que não publico nada pois a Vida me atropelou desde 2023, mas praticamente tudo o que tenho em vias de publicar é sobre monstros — em sentido metafórico ou literal. meu gênero literário principal é o romance (sim, de romance romântico!) e na sequência vem o terror. muitas vezes combino os dois, pois meus pares (ou trisais ou polículas) favoritos envolvem pessoas perversas, problemáticas e/ou à margem da sociedade. ou monstrões, com direito a múltiplos braços, pele arrancada, tentáculos e tudo que uma criatura eldritchiana tiver direito! (se você ficou com curiosidade de saber como isso funciona, talvez invocação, meu monster romance hot, te interesse.)
esse ano estava tencionando publicar uma história de terror com romance que envolvia uma universitária de ocultismo e um monstro vindo das zonas abissais de regiões ermas, mas ainda estou criando coragem para colocar a história no mundo, então não vou prometer nada. (a capa, por outro lado, é uma das coisas mais maravilhosas que eu já vi!!! >w< acho que vou concluir a publicação só pra poder ficar repostando a capa em todo canto disponível kkkkkk)
bônus desse item: algumas obras que estou produzindo podem ser lidas como pertencendo ao famigerado subgênero do dark romance, mas minha relação com ele é um tanto complicada e merece um texto à parte, por isso não vou me estender falando a respeito nesse momento. só queria deixar isso anotado aqui porque vai que me motivo a botar pra fora tudo o que penso, né? (como eu disse, sou medroso, e tenho medo especialmente do ostracismo.)
#9. esse ano resolvi desenvolver uma nova habilidade: costura. falando assim parece até que virei o protagonista de my dress-up darling, mas na verdade estou a quilômetros e quilômetros de ser tão habilidoso. primeiro, estou aprendendo a manusear a agulha com segurança, então nenhum furo ou tecido descosturado tem passado incólume diante da minha observação analítica!!!
meus remendos ainda têm muito o que melhorar, mas sou feliz por estar me dedicando a aprender a costurar. posso estar no nível mais básico, com foco prático (ajeitar roupas), mas tem sido algo que me obriga a desacelerar e focar no agora.
dependendo de como eu for me saindo nos próximos meses — e de como estiverem as contas —, ficaria contente demais em poder adquirir uma máquina de costura simples e costurar meus próprios projetos. a modelo eu já tenho (minha esposa), só vai me faltar aceitar que sou um iniciante e a paciência para amar a tarefa mesmo não sendo perfeito nela logo de cara. tomara que até que chegue o momento eu esteja à altura do desafio.
#10. a primeira vez que toquei minha esposa foi quando vim morar com ela. se eu fosse contar essa fofoca inteira precisaria de muito mais linhas, então, por favor, aceitem a versão resumida: minha esposa e eu nos conhecemos no falecido xitter, um tempo antes da pandemia. na época tanto eu como ela estávamos casados com outras pessoas, eu morava no RJ e ela no RN, sem um puto no bolso para podermos nos ver — enfim, o drama. passamos anos de amizade e depois de perrengue até finalmente conseguirmos ficar juntos, e isso só rolou quando decidimos: eu vinha pro RN e íamos fazer dar certo.
ou funcionava ou funcionava, porque se não desse eu não ia ter pra onde voltar no rio de janeiro (Mil Tretas, mas nenhuma delas era com a minha ex, que sempre foi uma pessoa maravilhosa e é minha amiga até hoje!)
viajei com uma tensão do cacete pensando “e se ela roubar meus órgãos???” (brincadeira, amor!) na verdade, meu maior medo era de que a nossa relação não funcionasse quando deixássemos o “namoro EAD”, de que apesar de tudo o que conversávamos as nossas interações no cotidiano fossem ser péssima. eu não podia estar mais enganado e fico feliz por isso! tivemos problemas, sim, mas que conseguimos arrumar com bastante conversa. desde o primeiro dia em que ficamos juntos, no entanto, já dava pra sentir: era como se fôssemos casados há mais de 10 anos e eu só tivesse chegado de viagem depois de um tempo longe. =)
sei que o amor romântico é muitas vezes ultravalorizado na nossa sociedade cristã e monogâmica, mas posso dizer com tranquilidade que desejo que toda pessoa possa ser amada e cuidada com tanto carinho, independente do tipo de relação que escolha ter. um amor sincero e dedicado é a melhor coisa que pode acontecer à alguém.
bem, por hoje é só!
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