"ai como ele é programadeiro!"
(Cartola-Preciso Me Encontrar)
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Se eu tivesse que nomear uma força transformadora na minha vida, com certeza diria que é minha esposa.
Ao mesmo tempo em que somos parecidos naquilo que mais valorizo - temos amor pela arte, um interesse infinito pela humanidade e um ódio brutal pelo capitalismo tardio e seu individualismo perverso -, também temos diferenças essenciais, que nos tornam pessoas completamente distintas. Nunca concordei muito com a frase de "os opostos se atraem" no tocante a relacionamentos, mas diria que sem um mínimo de diferenças não temos fricção para mudar e uma vida sem mudança é o equivalente a estar morto.
Dito isso, minha esposa me faz sentir vivo como poucas pessoas conseguem (às vezes a adrenalina é porque ela é incrivelmente estabanada e consegue se machucar de forma aleatórias, que quase me matam de preocupação, mas tudo bem, faz parte do pacote, certo?)
Tudo isso para comentar um pouco sobre como tem sido a experiência de voltar a mexer em "coisas complexas" de código. Não que eu tenha programado algo de fato, não faço isso tem muitos anos, mas desde que me tornei diagramador usando o Calibre precisei pelo menos me sentar para rever o uso de HTML/CSS, a forma mais fácil (para minha pessoa) de ajustar os textos e livros dos meus clientes.
Existem opções mais simples e intuitivas, é verdade, mas o Calibre é gratuito e suas funcionalidades me atenderam sem problema até hoje. Por vezes o processo é beeem manual, conferindo linha a linha para ajustar certos elementos, mas gosto da sensação de controle que mexer na stylesheet me traz.
Gosto ainda mais de ter ideias (meio) malucas de formatação e pensar "será que já fizeram algo assim?" e descobrir em fóruns e blogs aleatórios que sim, a comunidade está me cobrindo nesse caso. A área de TI me trouxe muito estresse e decepções, mas definitivamente as pessoas dispostas a compartilhar conhecimento existem aos montes e você pode aprender muita coisa se topar arregaçar as mangas e passar um tempinho buscando o que precisa.
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Mexer no Bear Blog é uma coisa inesperada pra mim - meio no estilo Pikachu chocado, é verdade (afinal, o que eu estava esperando que logo eu, ciente de como usar a barra de pesquisa e com conhecimento de palavras-chaves, fosse fazer? Me contentar com o BÁSICO? Rá!), mas ainda assim.
Esse ano minha esposa trouxe pra mim o movimento do NeoCities. Se você nunca ouviu falar sobre, recomendo bastante pesquisar, mas resumo brevemente (alguns d') os objetivos dele: descentralizar a internet, diminuir o doomscrolling, interferir no monopólio das redes sociais... Enfim, oferecer uma forma de os usuários se "libertarem" (ao menos um pouco) do cerco dos algoritmos, de se ter acesso à experiência da internet como era na época em que tudo era um grande diretório a ser descoberto e as informações não ficavam perdidas em pilhas e mais pilhas de... Sei lá, trends de IA, fake news & dark channels. A internet morta1 é uma coisa, e não é positiva.
Aquilo que fundamenta boa parte das redes sociais é a falta de fricção. Quanto mais fácil de usar, mais usuários são sugados. Hoje em dia toda pessoa ou estabelecimento meio que "precisa" ter uma página do Instagram para existir, por exemplo. Até 10 anos atrás, ter um site próprio era considerado essencial para parecer profissional, mas atualmente (no nosso contexto cultural) ter um insta e um zap parece ser tudo aquilo no qual a galera pensa. Só se lembram que esses sistemas pertencem a terceiros quando aparecem as notícias: whatsapp "caído", conta banida no instagram, flags e mais flags, venda e vazamento de dados...
Lembre-se da máxima:
Se uma coisa é de graça, desconfie se o produto não é você, campeão.
O que me deixa animado no caso do Bear Blog e do NeoCities é justamente a proposta de uma existência online que não seja meramente baseada em scrollar infinitamente sua timeline, vendo aquilo que as empresas acham que é interessante para você. "Treinos do algoritmo" à parte, mas apesar de admitir que tudo na nossa cultura é fruto de influência e repetição, eu não me sinto bem em viver na lata de sardinha que os poderosos tanto gostam, em especial num ambiente cheio de possibilidades como a internet.
Pode parecer besteira pensar que um blog super simples é enfrentar o sistema, mas a gente precisa começar de algum lugar, não é? O ato de montar linha a linha esse blog, tendo o cuidado de personalizá-lo para ser do jeito que eu quero, sem um milhão de propagandas saltando na minha cara e bots spammando comentários desnecessários... Tudo isso me faz sentir que estou retomando um pouco da minha própria agência.
Eu já tinha esperança que o NeoCities seria esse momento para mim, já que parte da sua proposta é ser "a cara da internet no começo", não como um saudosismo vintage e performático, mas sim como um trabalho artesanal, que envolve edição de HTML, CSS e até um pouco de Javascript se você for mais ousado. Alguns sites que pude olhar são verdadeiras obras de arte, trabalhos de expressão criativa que me fascinam e inspiram!
O "problema" daí passa a ser o excesso de possibilidades abertas: minha mente acaba ficando sobrecarregada quando não sei por onde começar e pifando sem nem mesmo sair do lugar. Por isso ainda não mexi em nadinha do meu NeoCities, ainda que o domínio já esteja criado. Tenho que parar para fazer um planejamento página a página, pois é isso o que acontece quando você não tem uma ferramenta que faça tudo de uma vez, padronizada, sem esforço. Ser um artista não apenas das palavras, mas das divs e folhas de estilo.
[DISCLAIMER] (Só pra esclarecer, não estou dizendo que deveríamos destruir ferramentas para auxiliar iniciantes e pessoas leigas em tecnologia, mas sou bem crítico quanto à apropriação de tais ferramentas pelo capitalismo e pelos bilionários "bem-intencionados".)
Como sempre, quando começo a escrever me empolgo e saio totalmente da linha editorial original do texto; o que era pra ser um post breve comigo falando algumas das configurações que fiz na home e até nesse post/configuração de template, virou um apontamento sobre como fico feliz de ver surgir soluções (ainda que individuais) para sair da esteira de produção. Não tem problema, escapulir do planejamento é a parte divertida.
Nem tudo precisa ser uma questão de otimização a ser resolvida.
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