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esKAYvendo

estudar, estudar & estudar

o que eu me tornei, deux?!

em outros tempos eu estaria empolgado que chegou o dia do Exploda seu Kindle na Amazon, mas fiz uma ou outra aquisição e nem me preocupei muito em olhar a listagem de livros disponíveis. nem tanto pelo material em promoção, mas porque não estou tão interessado em leitura nesse momento - meu foco e energia estão concentrados em estudar. e o que isso rendeu? nada mais nada menos do que 21 anotações adicionadas hoje ao meu cofre no obsidian. =)

recentemente vi um vídeo que dava dicas para se manter escrevendo sendo neurodivergente e uma das dicas, por mais óbvia que seja, me pegou desprevenido: "aproveite seus momentos de hiperfoco." sempre busquei fugir dos hiperfocos depois de adulto porque sentia que eles tiravam a minha produtividade ou eram só "fogo de palha". entrar nesse modo "não vivo por mais nada" me deixava constrangido, além de ser irritante, pois te consome inteiro.

é verdade que tem dias que consigo escrever 10 mil palavras, mas eu não via isso como algo positivo; na minha cabeça, escrever tanto de maneira inconsistente não levava a lugar algum. hoje em dia acho que entendo (parte d)o funcionamento dos meus hiperfocos e como manejá-los melhor. sei me forçar a ter pausas para não acabar travado, com fome e com sede. e ainda assim, "fugia" desse estado, tentava jogar água fria nele. o vídeo me deu um sacode e percebi que não podia ser sempre assim - afinal, nem todos os dias eu tenho tempo e energia para querer me dedicar a algo com tanta profundidade. o hiperfoco, no final, ajuda a compensar esse tempo parado.

então hoje sentei e pensei "foda-se, canta, Patrício, canta!" o resultado (uma trilha concluída no CyLab e outra iniciada, três desafios do bandit resolvidos) me deixou muito satisfeito, especialmente porque estou conseguindo aplicar as dicas de how to take smart notes do sönke ahres, um livro que li ano passado e gostei bastante.

para resumir: ahres aconselha a pessoa a fazer uma anotação que resuma com suas palavras o que ela entendeu - um conselho derivado da técnica feynman, elaborada pelo físico richard feynman. a ideia é que, ao usar suas próprias palavras para explicar um conteúdo, você consiga, ao mesmo tempo, entendê-lo e internalizá-lo. aqui vai um ponto importante: não se trata de memorizar as informações, mas sim de se apropriar da informação e naturalizar o entendimento dela na sua cabeça.

estou usando e abusando desse método nas minhas anotações do obsidian. além disso, também faço questão de deixar minhas notas com nomes auto-explicativos e conteúdo breve (quando possível), o que torna mais fácil o encapsulamento de informação, a linkagem de notas entre si e a busca posterior do material para revisão. ah, claro, e crio meus MOCs! caso você não faça ideia de por onde começar ao chegar no obsidian, minha recomendação é essa: crie um moc do assunto que você está estudando. isso ajuda bem mais do que criar um milhão de pastas e tags, que podem ser esquecidas facilmente.

um MOC consiste num mapa de conteúdo, onde você pode conectar todas as anotações sobre um mesmo assunto. algumas pessoas usam o MOC de maneira super simples, só juntando todos os links no mesmo canto (já ajuda bastante na localização do material!); outras criam uma verdadeira wiki. como meu objetivo inicial é construir minhas notas os mais completas possíveis, meu MOC está super simples, só as notas separadas por seções. quando chegar o momento de revisar as anotações, no entanto, eu pretendo transformar essa página num material mais elaborado e manter as notas apenas para consulta aprofundada.

Print do Obsidian mostrando uma listagem de anotações. Na tela se lê Moc Fundamentos de IA parte 1 e abaixo o link de regras de perceptrons, classificações de problemas, treinamento de perceptrons e alguns dos desafios resolvidos.

nessa de montar anotações completas eu me peguei usando o obsidian de caderno, o que foi uma novidade legal! se cair no mundinho do "studytube" (ou sei lá como chamam) você vai ver com frequência esse conselho: você pode até ver a resposta de um problema no livro, mas anote o passo-a-passo detalhado de como se chega na resposta. basicamente, o ponto mais importante é você saber o caminho pra chegar na resposta. a partir daí, fica bem mais fácil chegar no resultado.

eu fiz isso enquanto estudava matemática no começo desse ano e apesar de ser um pouco cansativo, também é estimulante, pois ajuda a gente a entender de verdade a resolução dos exercícios. (eu queria conhecer esse método na época do fundamental II, onde matemática era meu terror pessoal.) fazer a mesma coisa no digital foi uma novidade pra mim e me surpreendeu bastante ver que funciona!

estudando uma trilha básica no CyLab sobre fundamentos de IA, um tema pelo qual me interessei mais depois de ler esse texto do Jonas Marques, me deparei com alguns desafios que pediam um pouco de lógico-matemática pois envolviam funções. me vi quebrando mais a cabeça na hora de escrever a anotação do desafio do que resolvendo o desafio em si, o que deu um esquema meio assim:

se alguém abrir a nota no obsidian sobre o desafio 8, no entanto, vai encontrar toda a minha linha de raciocínio para chegar nos valores que precisava.

parte das minhas anotações está ali embaixo. não são a coisa mais complexa do mundo, mas vieram 100% da minha cabecinha e só por isso eu já me senti wow mandem fechar o laboratório do dexter chegou o novo gênio, PORRA, e ESSE sentimento é parte essencial pra fazer você querer voltar pro estudo!!!!

outro termo interessante para pesquisar, caso você tenha curiosidade: fricção produtiva. você tem dificuldade para resolver algo, mas não uma dificuldade imensa e que te faça correr pras colinas. é por isso que o ideal é crescer o nível de dificuldade de estudo aos poucos.

Q: por quê as coordenadas (-1,+2) podem dar resultado positivo no perceptron, mas (+2,-1) recebem resultado negativo?

R: Porque o peso (w¹) da coordenada x¹ = -1 é menor do que o peso (w²) de x² = 2. Nesse caso, o que é mais relevante é que o x² da equação seja positivo, independente do primeiro valor!

Q: Por que o viés é negativo e não neutro?

R: Porque em casos onde w² >= x¹ > 0, ou seja, 3 >= x¹ > 0 e x² = -1, a ausência de viés poderia prejudicar o resultado, ativando o perceptron.

antes de chegar nessas anotações mais elaboradas, em formato de função, eu resolvi outros desafios bem mais simples, pois envolviam menos tentativa e erro, mas eles me prepararam para chegar nessa nota mais complexa (e que mesmo assim eu pretendo revisar para melhorar, pois acho que pode ser mais direta).

e é isso, galera! também devo dizer que os desafios de CTF (capture the flag) são muito estimulantes pra mim porque eu adoro meter a mão na massa. nunca fui muito cara de teoria, eu quero resolver coisas! combinar o CTF com as anotações tá sendo a melhor coisa pro meu cérebro parar de ser peito de frango (lisinho lisinhoooo).

hoje o camarada TH recomendou o livro desconstruindo a web do william molinari, que foca na parte de tcp/ip, uma área em que eu preciso melhorar muito - minhas aulas no ensino médio a respeito foram um terror, eu achava aquilo um tédio mortal e cagava e andava, passei na disciplina sei lá como (porque eu não colava, mesmo precisando kkkkkkk). provavelmente vou intercalar uma leitura assim com os desafios, pois só de pensar em ficar 100% lendo, sem mexer no terminal, eu me sinto "num quelo" das ideia.

outro defeito do hiperfoco: qualquer coisa fora dele parece uma morte lenta. aí que entra o auto-gerenciamento! vamos torcer para dar certo. =)

obrigado por ler até aqui!!

copiando minha esposa, vou deixar aqui a última música que tocou enquanto finalizava esse post:


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#beda #estudos #hacking #ia #obsidian #organização #segurança