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esKAYvendo

às vezes eu penso de comprar uma máquina de escrever

nessa era de coisas performáticas, às vezes eu também penso em fazer as minhas, ainda mais para algo que faço com tanta frequência quanto escrever. provavelmente parece um tanto "regressivo" usar uma máquina ao invés de um dispositivo digital, então me esforcei para elencar razões de porquê eu gostaria tanto de ter uma.

eis aqui minha lista (espero que) convincente:

1. a sensação de "definitivo" me ajuda quando estou travado numa atividade.

uns bons anos atrás eu estava assistindo ao canal de um professor de arte BR e uma dica que ele dava pra quem queria se desenvolver era de passar a desenhar usando caneta e papel. a borracha - e o ctrl+z, no digital - pode acabar sendo a pior inimiga de quem quer melhor, já que impede a gente de concluir uma arte. mais do que querer fazer algo perfeito, você quer fazer algo, não ficar travado num esboço ou até na estaca zero.

de fato, seguir esse conselho me ajudou a concluir muito mais desenhos, então me questiono se o mesmo não rolaria com uma máquina de escrever, onde o texto só poderia ser alterado quando eu parasse para digitá-lo novamente.

o lance de não poder parar pra ficar apagando ou refazendo o trabalho é uma ótima forma de te incentivar a procurar saídas criativas para transformar seus erros em... outra coisa. talvez a frase que eu escrevi não seja a melhor do mundo, mas se é o que tenho no momento então vou tentar me virar com ela.

2. a máquina de escrever só serve para escrever!

não tenho acompanhado tanto assim a nova onda do movimento analógico, exceto por um ou outro vídeo sobre potenciais hobbies fora do digital. porém, é fácil concluir que parte da galera adere a ele pois aparelhos e itens com funções específicas estimulam que você faça aquela tarefa ao invés de se perder em todas as outras mil e uma possibilidades de um dispositivo multi-função.

não sou hater de celular e nem da tecnologia num geral, mas é fato que muitas vezes aquilo que deveria facilitar nosso cotidiano se torna uma distração.

3. vejo a máquina de escrever como um meio-termo entre o caderno e o notebook.

talvez seja doideira, mas juro que na minha cabeça faz sentido. desde que comecei a fazer as páginas matinais com minha esposa, tenho usado muito mais meus cadernos, bem mais do que em qualquer outro momento após ter saído da faculdade de Letras. gosto da sensação da caneta no papel e do tempo que levo para produzir um texto nesse suporte, mas confesso que ao escrever ficção essas mesmas coisas me dão uma certa gastura. a real é que sinto falta de digitar.

sei que o teclado da máquina de escrever não funciona coo o teclado de um notebook, mas aprender a usar uma ferramenta nova não me parece tão estressante quanto a saga que vivi ao tentar substituir o scrivener, meu editor de texto atual.

4. fico curioso para saber o quão diferente seria meu processo de escrita numa máquina.

descobri sem querer o canal da MariWriting e se tornou facilmente um dos meus favoritos nesse meu período de experimentações. por ali a mari testa o processo de escrita de outros autores, aplicando-o ao seu próprio trabalho.

desde que assisti o vídeo sobre a rotina da virginia woolf, autora que admiro muito, tentei experimentar ao máximo possível do método dela, adaptando-os à minha rotina. um deles (escrever no papel e depois passar para outro suporte, no meu caso o digital) acredito que tem mudado bastante a qualidade dos meus textos. (pelo menos pra mim é notável durante esse beda a diferença entre os textos que escrevi direto no digital e aqueles que passei por esse processo de rascunho antes.)

fico muito ansioso para descobrir o que mais se alteraria ao utilizar uma máquina de escrever e me aproximar ainda mais do método de woolf, já que era a ferramenta que ela utilizava.


pensando bem

mas, por ser pobre e me esforçar para não ser o otário de algum malandro, além de enumerar os pontos legais, pensei também naqueles que não são tão positivos:

e assim deixamos registrado o desejo pela performance, mas a dúvida de quando (ou se) ela poderá ser realizada!


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#beda #pessoal #sobre escrita